Biografia

Gonçalo Salgueiro

BIOGRAFIA

GONÇALO SALGUEIRO

Gonçalo Salgueiro nasce a 7 de Novembro em Montemor-o-Novo – Alentejo – no seio de uma família emocionalmente muito ligada á música , ambos os seus Pais cantavam Fado , enquanto amadores . Apesar do seu Pai se apresentar algumas vezes ao lado de Amália Rodrigues , este que por sua vez o convida a tornar- se profissional , afirmando que “ seria seguramente um dos 3 melhores fadistas masculinos em Portugal “.

Não é portanto de admirar que Gonçalo desde muito cedo educado no culto do amor à música nas suas mais variadas formas de expressão, começasse a cantar desde muito cedo e se tornasse um Amaliano , tendo a sua primeira experiência de Fado “ in loco “, com quase 3 anos , no afamado restaurante Sr.Vinho de Maria da Fé , em Lisboa .

A sua infância e adolescência é passada num ambiente cultural , convivendo desde cedo com as grandes figuras do Fado , Canção , Teatro e Televisão do País, é um fascinado por todas as formas de arte, em especial pelo Canto . Dos 8 aos 11 anos tem também aulas de piano .

Ainda no Alentejo integra o grupo coral de S.Domingos , com os quais grava 2 CDs , tendo o primeiro “ Da Pacem Domine “ atingido os top de vendas nacionais , com o single “ Lira “. Aos 17 anos ingressa no I.S.C.S.P da Universidade de Lisboa , onde cursa Relações Internacionais , simultaneamente , torna-se amigo e aluno ( enquanto sopranista ) da  consagrada Soprano portuguesa Maria Cristina de Castro , que o instiga a prestar provas para o Conservatório Nacional , onde chega a entrar , com a melhor nota desse ano .

Ainda estudante universitário em 1999, foi convidado pela Dra. Isabel Morais a cantar no Museu de Marinha para congressistas oriundos de todo o mundo no “XIV International Association for the Children’s Right to play” e a convite de seu Pai , José Salgueiro , canta numa das primeiras noites de Fado da Expomor em Montemor-o-Novo , para uma plateia esgotada e entusiasta .

Daí para o “Clube de Fado” Alfama em  e “Velho Páteo de Sant’Ana  foi um ápice, onde se torna numa das principais atrações das casas de Fado em Lisboa e onde se cruza com alguns dos maiores nomes deste género musical ( Beatriz da Conceição , Tereza Tarouca , Vicente da Câmara , José Fontes Rocha  entre outros ... ) .

Sendo então aí convidado em 2000/2001, pelo encenador Filipe La Féria, integra o elenco do Musical “Amália”, no papel de Eduardo Ricciardi. É interpretando “Aïe, mourir pour toi”, em dueto com Alexandra, que chama sobre si a atenção da crítica e do público.

Durante este período frequenta também um curso de interpretação para TV  e Cinema , ministrado por Thais de Campos e André Cerqueira . Numa produção TVI,  o fadista João Braga convida-o a cantar na noite de homenagem a Amália Rodrigues, frente à Igreja de S. Vicente de Fora , onde a sua interpretação do tema “Grito “ o faz destacar perante o grande publico . A RTP Internacional no programa “Fados de Portugal” apresenta-o ao mundo.

Os convites sucedem-se para concertos, espetáculos e participações especiais em discos comemorativos, musicais de Revista  e Poesia.

Em 2002 grava o 1º álbum a solo “…No tempo das cerejas”, uma assumida homenagem a Amália, onde recria alguns dos seus temas menos conhecidos .

Ainda em 2002, é convidado pelo músico/compositor José da Ponte a gravar para a RTP1 o tema “Lusitana Paixão”, genérico da telenovela, de Moita Flores, com o mesmo nome.

Nesse mesmo ano, a convite do actor/encenador Júlio César, após o ter ouvido nas famosas “quartas de Fado do fadista Carlos Zel , estreia-se no Casino Estoril – Salão Preto e Prata – no grande espetáculo musical “Egoísta”, ao lado de Rita Guerra e Dora, onde permanece até Março de 2004, e do qual também resulta um cd , sob o Maestro Pedro Osório . Também neste período estuda técnica vocal com a professora Maria do Rosário Coelho .

Espetáculos um pouco por toda a  Europa e USA, levam-no ao contacto mais próximo com o grande público que, tal como os críticos, são unânimes em afirmar a sua extraordinária versatilidade, emoção e presença. A sua voz faz-se ouvir, ocupando os lugares cimeiros nas rádios nacionais e nas rádios das comunidades  portuguesas espalhadas pelo mundo, com particular destaque para a Rádio Alfa, Paris e Rádio Amizade, Luxemburgo.

Em 2006, edita o 2º Álbum “Segue a minha Voz”, que será reeditado em 2012 com a mais valia de duetos inéditos com Fernanda Maria e Beatriz da Conceição( gravados em 2002).

Em 2007/2008, é de novo chamado por Filipe La Féria para interpretar o papel de Jesus Cristo no Musical de Andrew Loyd Webb e Tim Rice “Jesus Cristo Superstar” que estreou no Teatro Rivoli, Porto, vindo depois para o Teatro Politeama, Lisboa, sempre com lotações esgotadas .Um marco da história do Tetro Musical Português . Após este imenso sucesso ,começa também a ser requisitado para ser júri de inúmeros concursos de Fado por todo o País , e também na televisão , função que se prolonga até aos dias de hoje .

2009/2010, edita o CD/DVD homónimo “Gonçalo Salgueiro” onde se revela como autor de versos para o Fado. Chega inclusivamente nesta altura a ter o seu nome atribuído a uma casa de Fado em Palmela , onde se torna presença assídua para gaudio dos seus inúmeros admiradores que ali se deslocam de todo o país e estrangeiro .

2010 a 2013 – Gonçalo volta ao Casino Estoril para protagonizar duas produções musicais de Filipe La féria “Fado – História dum Povo” e de seguida “O Melhor de La Féria”, tendo o último sido reposto com grande êxito em 2013 no Teatro Rivoli, Porto.

Gonçalo Salgueiro ao longo da sua carreira foi responsável pela participação em varias iniciativas de solidariedade social a favor de inúmeras instituições , lares e hospitais e ainda indivíduos em estado de necessidade , por exemplo : os “Médicos Sem Fronteiras” , “ Lions Club “ e  especialmente  a” Casa do Artista “, onde chegou a colaborar diretamente com Raul Solnado e a fazer vários espetáculos para os seus utentes , destaca-se ainda  a concepção do espetáculo “Cantar para Fernanda Maria” em 2010  , que encabeçou juntamente com Ana Moura , num tributo á grande Cantadeira de Lisboa e cujas receitas foram entregues na totalidade a esta instituição .

 

2011 – É distinguido pela SPA – Sociedade Portuguesa de Autores - com o” Troféu de Homenagem ao Fado SPA “.

Em 2012 Gonçalo Salgueiro é galardoado pela Fundação Amália Rodrigues com o Prémio Amália Rodrigues 2012 na categoria “Tributo a Amália”, prémio pela primeira vez instituído e atribuído.  Também neste ano é  convidado para ser o “Padrinho “ da Marcha da Ajuda , juntamente com Paula Sá e em 2013 , foi de novo convidado a participar nas Marchas Populares de Lisboa enquanto” Padrinho” da “Marcha da Mouraria” , ao lado de Alexandra.

Gonçalo Salgueiro divide a sua vida de cantor/ator com a de Letrista e a de Produtor Discográfico para intérpretes nacionais e internacionais, sendo inclusivamente responsável por dar a conhecer novos talentos como por exemplo André Baptista , a quem produziu 2 CDs , este já reconhecido em 2014 com o “ Prémio Revelação “ pela fundação Amália Rodrigues .

2013 – Gonçalo Salgueiro idealiza o espetáculo “Abraço Lusitano” que com a cantora Alexandra estreia em Janeiro no Cinema S. Jorge, Lisboa, percorrendo de seguida Salas, Auditórios e Casinos de Portugal paralelamente com vários concertos a solo pelo país e pelo estrangeiro.

2014/2015 - Além dos seus espetáculos a solo Gonçalo Salgueiro lança-se em mais um grandioso projeto, desta vez em pareceria com a renomada soprano internacional Elena Mosuc. Numa combinação única e inédita juntam Fado, Opera e Musical – OPERFADO - acompanhados por músicos de fado, orquestras e coros, cuja tournée teve a sua estreia na Roménia, com salas esgotadas e criticas abundantemente generosas! Chegando inclusivamente a serem comparados aos grandes espetáculos de Montserrat Caballé e Freddy Mercury. Na sua mais recente apresentação, 14 de setembro em Iasi, OPERFADO atingiu recordes de público com cerca de 15.000 espectadores!

Gonçalo Salgueiro aceita ainda o desafio de participar no projeto poético-musical “Aire, Fuego e Deseo”, do poeta castelhano Juan Carlos García Hoyuelos, em homenagem a 96.000 pessoas que conservaram o idioma judaico-ibérico nos seus 500 anos de diáspora, dando voz ao tema “Não Há Um Dia”, do compositor Salvador Garcia Pérez e do intérprete de viola de flamenco Mariano Mangas.

Ainda em Setembro, Gonçalo Salgueiro é convidado a encabeçar o festival Caixa Alfama onde participaram cerca de 40 artistas de fado, dando um concerto memorável, no palco principal do evento com um público entusiasta e participativo!

Em janeiro de 2015 atua na Roménia, no  prestigiado Romanian Athenaeum em Bucareste acompanhado pela 1ª Orquestra Filarmónica e Coro da Roménia com a soprano Elena Mosuc, onde pela primeira vez se ouve Fado !

Em Fevereiro de 2015 inicia os ensaios para mais um musical de Filipe La Féria "A noite das mil estrelas" no Casino Estoril , onde interpreta variados temas desde o musical Evita , á canção francesa dos anos 50 , passando pelo pop de António Variações dos anos 80 , até ao fado e á opera ! um grande desafio num espetáculo com casas esgotadas desde a sua estreia em abril de 2015 até dezembro do mesmo ano.

A 19 de setembro participa no "Caixa ALFAMA 2015" cantando na Igreja de S.Miguel de Alfama em Lisboa.

A 30 do mesmo mês atua no prestigiado Bérnard Theater da Opera de Zurique na Suíça onde obtém as seguintes críticas ao seu desempenho:

"Em 30 de setembro de 2015 o artista Gonçalo Salgueiro realizou com a presença da soprano de classe mundial, Elena Mosuc, uma noite de Fado no renomado Zurich Bérnard Theater e mostrou ao publico porque é considerado a voz mais apaixonante de Portugal. O fervor com que o cantor interpretou as melancólicas canções do seu país em todos provocou "pele de galinha".

Com o seu canto expressivo e "soulful" ele entrou completamente na alma dos ouvintes. E mais uma vez mostrou que a música não conhece barreiras linguísticas. Quase sem a presença de portugueses no salão lotado todos entenderam a mensagem de Gonçalo, que pode transportar, como o grande artista que é , emoções como nenhum outro.

É também abençoado com um alcance vocal impressionante, uma das suas grandes vantagens, sobretudo quando ele abandonou o microfone, continuou a cantar e encheu a sala inteira sem amplificação.

Gonçalo Salgueiro parece ter nascido para o palco e de cada concerto faz um evento único e inesquecível.

Qualquer um que o tenha vivenciado quer fazê-lo outra vez. A combinação ópera/fado que Salgueiro e Mosuc trouxeram ao Bérnard Theater é puro prazer e único no mundo. Obrigado Gonçalo, por teres trazido o teu fado para Zurique e assim, enriquecido as nossas vidas."

URSULA BURGHERR -jornalista

Em 2016 Gonçalo Salgueiro e após a conclusão das gravações do seu próximo cd, actua a 3 de junho no festival "CAIXA RIBEIRA" .A 8 do mesmo mês volta á Suíça para, pela 2ª vez, atuar no no Bérnard Theater de Zurique. Continua também a colaborar em trabalhos discográficos de colegas , como é o caso de Jose Gonçalez para a Sony Music  e grava ainda o êxito popular “ Homenagem a Santa Maria “ com  a cantora Maria do Sameiro .

A 21 de janeiro de 2017 Gonçalo Salgueiro atua pela 1ª vez no Canadá no Centro Cultural Português de Mississauga. A 3 de Março de 2017 edita o seu 4º cd a solo "Sombras e Fado", um disco imediatamente aclamado pela critica :

“Há no mundo do fado uma série de intérpretes que cantam satisfatoriamente e com algum profissionalismo, cumprindo por vezes a função até com eficácia mas, a maior parte das vezes, sem qualquer laivo de emotividade; outros há que positivamente deslumbram tal a entrega , rigor , emoção e eficiência de que dão mostras…

É o caso de Gonçalo Salgueiro, fadista que no seu quarto álbum de originais dá um passo gigantesco rumo ao estrelato, afinal de contas um estatuto que ele há muito já merece não só pelas excelentes e comprovadas prestações em palco, nomeadamente no musical “Amália”, mas também e fundamentalmente pela grande qualidade vocal que sempre foi parte indissociável dos seus três primeiros discos. Agora, em “Sombras e Fado”, que ele dedica a sua mãe há tempos falecida, Gonçalo suplanta-se a si próprio, vocal e musicalmente, cantando melhor que nunca , rompendo barreiras, rótulos, paisagens musicais e sonoras, ditames e até com … certos modernismos.

Ouçam-se por exemplo as brilhantes versões de “Concerto pour une voix “, de Saint-Preux – que excepcionalmente autorizou esta versão apesar de habitualmente pôr muitas restrições a versões de temas seus – onde Salgueiro, em companhia da soprano Elena Mosuc, positivamente deslumbra ; “Ai vida”, composição originalmente escrita por Jorge Fernando para homenagear a grande Amália com quem chegou a gravá-la em dueto, a que Gonçalo dá um cunho próprio, pessoal e intimista; “Naufrágio” um dos mais emocionantes e envolventes temas do disco e, finalmente, a canção “escondida” deste trabalho: “Povo que lavas no rio”, composição do meu grande amigo, poeta e antigo vizinho na Rua Oliveira Monteiro na cidade do Porto, Pedro Homem de Mello ,que a diva Amália eternizou e a que, aqui, um grupo de cante de Montemor-o-Novo (Alto Alentejo) concede uma sonoridade vocal verdadeiramente apoteótica e embriagadora ou não tivesse a composição sido gravada sem artifícios na capela do castelo local .

Letrista de mérito (assinou nada menos de sete da totalidade de 17 composições do disco), fadista com F grande, dotado de uma voz absolutamente notável, única e reconhecível, Gonçalo Salgueiro é hoje em dia, acima de tudo, um intérprete genial que até por isso mesmo tem já um lugar reservado e muito especial no mundo do fado contemporâneo. Mais que um novo disco, este seu fabuloso “Sombras e Fado” é, para além duma verdadeira obra-prima, mais uma pedra basilar e fundamental para a construção da história da nossa canção nacional por excelência.

Uma certeza tenho: certamente lá, onde estiver, a mãe do fadista deve estar orgulhosa e vaidosa com esta brilhante e sentida homenagem que através do novo disco agora lhe foi feita pelo filho. “

João Afonso Almeida

 

"Foi lançado este mês o mais recente CD de Gonçalo Salgueiro, “Sombras e Fado”, um álbum diferente e que segue por um caminho, também este, diferente do que Gonçalo Salgueiro tem feito ao longo da sua carreira como fadista.

Este que é o seu quarto trabalho a solo e se por um lado nos recorda temas antigos de outras vozes (“Penso sempre em ti” de Fernanda Maria ou “Amor de Mel, Amor de Fel” de Amália) por outro conta com novos sons, desde a introdução de elementos de precursão (algo em vogue nos últimos tempos), a orquestração de dois temas, à passagem pelo cante (uma surpresa revelada no fim do álbum) e o convite de participação de uma cantora lírica (Elena Mosuc, cantora romena com quem o artista dividiu palcos numa recente produção a que deram o nome de “Operfado”), no entanto estas introduções não fazem com que o jovem fadista deixe de ter temas mais tradicionais acompanhados exclusivamente à guitarra portuguesa, viola e baixo, casos como “Sudário” (Fado Súplica) ou o tema que dá nome ao CD, “Sombras e Fado” (Fado Zé Negro), ambos com a assinatura de Gonçalo Salgueiro.

Mas talvez o mais surpreendente seja mesmo a fantástica interpretação do tema “Volta” de Diogo Piçarra, que Gonçalo Salgueiro nos apresenta numa outra forma, e “Tu” mais um dos sete poemas que o fadista assina e que coloca na melodia de “Concerto pour une voix” de Saint-Preux, algo arrojado e quase mítico, mais arrojado ainda por o autor francês ter proibido a sua gravação em Portugal, algo que Gonçalo Salgueiro consegue romper.

Mas o arrojo do jovem fadista não se fica por aqui, ousou colocar um grupo de cante alentejano a cantar um fado tradicional, uma surpresa escondida no CD e que revela um tema bastante conhecido de uma outra forma, a começar por ser interpretado à capella e de seguida com a participação do cante.

Este é um trabalho em que o fadista afirma que contém “grande parte da [sua] própria essência”, o cante é exemplo disso, recordando que o jovem fadista é do Alto Alentejo, e claro, a versatilidade quase camaleónica de Gonçalo Salgueiro que já nos tinha arrebatado em várias frentes, desde o fado aos musicais.

https://gravataazul.wordpress.com/…/sombras-e-fado-goncalo…/

 

A 12 de Maio de 2017 , a convite da Zagreb Philharmonic Orchestra actua , acompanhado pela mesma , no Lisinski Concert Hall em Zagreb na Croácia , no espetáculo Tango&Fado. A 28 de Junho , a convite da Rádio Amália actua como cabeça de cartaz no espectáculo "Fados a Nossa Senhora" na Igreja de S. João de Brito em Lisboa. Em 24 de Junho de 2017 volta pela terceira vez ao prestigiado Bérnard Theater de Zurique para mais um serão de Fado tradicional e piano .

A 17 de Setembro de 2017 e a convite do "Caixa Alfama 2017" Gonçalo Salgueiro enche de novo a Igreja de S. Miguel em Alfama.

Em 14 de Outubro apresenta na livraria Ferin o cd "Mãe" . Um disco com catorze temas, nove dos quais com letras de sua autoria numa declarada homenagem a sua falecida mãe , uma edição exclusiva e limitada da prestigiada Fundação Manuel Simões .

“Mãe – um hino ao amor que nunca se esquece

 

“Mãe” é o nome do último álbum de Gonçalo Salgueiro, um trabalho discográfico que

nos prende com amor e saudade num misto de regozijo e dor.

Perder alguém que se ama é um momento que marca cada um de nós, mas quando esse

alguém é a pessoa que nos deu ser abre-se uma ferida que é insarável.

No entanto Gonçalo Salgueiro não se deixou ficar na dor, depois de no álbum “Sombras

e Fado” ter incluído o tema “Volta” de Diogo Piçarra em que a homenagem à sua mãe, então

recentemente falecida, era óbvia, decide criar um álbum onde inclui catorze temas relacionados

com o amor maternal.

A viagem de amor começa com um tema carregado de emoção e que dá o nome ao

álbum, um fado antigo que descreve a dor da perda e a contestação ao ciclo da vida, está assim

inaugurado o trajeto pela mais pura das formas de amar que prossegue em várias e diferentes

melodias e, embora não seja algo novo, Gonçalo Salgueiro assina nove dos temas, voltando a

surpreender-nos com a sua fabulosa escrita, carregada de sentir e emoção.

Além das letras assinadas pelo jovem fadista o album conta com letras de Miguel Torga,

Linhares Barbosa, João Fezas Vital e Nuno Lorena com músicas de fados tradicionais de autores

como Alfredo Marceneiro, Miguel Ramos ou Armando Machado, mas também com melodias de

Frei Hermano da Camara e Jorge Fernando, que assina de forma integral o tema “Colo de Mãe”.

Mas tal como em “Sombras e Fado”, Gonçalo Salgueiro deixa a maior surpresa para o

fim, se no seu trabalho anterior deixou uma faixa escondida na qual nos surpreende com um

“Povo que lavas no rio” em registo de cante alentejano, em “Mãe”, Gonçalo termina o seu álbum

com um dueto comovente, com a sua mãe. Um momento incrível que marca talvez o ponto alto

do novo trabalho discográfico.

Gonçalo Salgueiro desafiou-se a si próprio e desafia-nos a todos, um desafio que passa

por esbater o luto, a angústia e a dor com a força maior que temos, o amor.”

C.D. Carreira- blog gravata azul

A 17 de Novembro de 2017 Gonçalo Salgueiro sobe ao palco do grande  auditório do Centro Cultural de Belém , espetáculo de Fado considerado o melhor do ano de 2017 :

 

“ Gonçalo Salgueiro: A voz de Portugal com o CCB a seus pés!

 O Grande Auditório do Centro Cultural de Belém acolheu, esta sexta-feira, o fadista montemorense Gonçalo Salgueiro, num espectáculo inserido no ciclo Há Fado no Cais, co-produzido pelo CCB e Museu do Fado.

 Gonçalo Salgueiro é, indiscutivelmente, das melhores vozes nacionais. Tem argumentos técnicos que poucos conseguem e tem poder interpretativo. Este ano lançou dois discos, “Sombras e Fado” e “Mãe”. Ao Centro Cultural de Belém trouxe temas dos dois discos, fez uma viagem pelo seu percurso artístico e

ainda trouxe mais quatro convidados: Lenita Gentil, Luisa Rocha, André Baptista e Lino Ramos. Foi acompanhado por Sandro Costa na guitarra portuguesa, Ivan Cardoso na viola de fado e Ricardo Anastácio no baixo.

O espectáculo dividiu-se em duas partes e com um nível de qualidade elevado. Gonçalo Salgueiro proporcionou, mesmo faltando ainda dois concertos, o melhor espectáculo do ciclo Há Fado no Cais em 2017. Foi inteligente na escolha de repertório, soube criar diversas tonalidades emocionais ao longo de mais de duas horas, soube interagir com o público.“Grito” foi o tema com que abriu o espectáculo e após o qual agradeceu a presença do público, que encheu o CCB, tendo também homenageado uma das suas grandes referências: Amália Rodrigues. Recordou ainda que a primeira vez que entrou nesta sala foi na inauguração e que quem ali actuou foi Montserrat Caballé, e que por isso era uma honra poder pisar um palco onde já actuaram grandes nomes da música nacional e internacional.

 

 Ao longo desta primeira parte foi apresentando os temas do disco “Sombras e Fado” tendo sempre o cuidado de explicar ao público, um pouco dos temas e dos seus compositores e letristas. A boa disposição nos momentos em que falou com o público foi uma constante com Gonçalo Salgueiro a demonstrar inteligência no humor. O tema que dá nome ao disco, “Sombras e Fado”, conta com letra do próprio fadista e música de Amadeu Rami, seguindo-se “Meu nó aflito” também com palavras suas e música de Raul Pereira. Salgueiro conseguiu em todas as interpretações dar vida às palavras e mostrar todo o seu manancial vocal e interpretativo. “Engano” apenas o nome do tema seguinte e que conta também com palavras de Gonçalo Salgueiro e música de Alfredo Marceneiro.

Neste espectáculo destaca-se a possibilidade de podermos apreciar Gonçalo Salgueiro na sua vertente de escritor de canções, onde revela uma sensibilidade peculiar e onde as emoções encontram as palavras certas. O talento de Gonçalo Salgueiro não se esgota na sua voz. Mas é a sua voz que o torna diferente!

 

 

O público aplaudia cada interpretação mas Gonçalo achava-os “muito murchinhos”. Fugiu ao alinhamento inicial e colocou o público a cantar “Nem às paredes confesso”. Caso para dizer que ‘arrebitou’ o público.

 Na plateia, Gonçalo contou com a presença de grandes nomes do Fado como são os casos de Maria da Fé ou Fernanda Maria. Prestou homenagem a estes dois nomes com “Noite Cerrada” e “Penso em Ti”. Pelo meio chamou ao palco dois dos convidados da noite: André Baptista e Luísa Rocha. Ambos estiveram, cada um ao seu estilo, num plano superior de qualidade interpretativa. São dois valores seguros do fado, que merecem os maiores palcos.

O terceiro convidado a ser chamado a palco foi Lino Ramos que trouxe o fado mais bairrista e que agradou, bastante, ao público. Gonçalo Salgueiro encerrou a primeira parte com o single do disco “Sombras e Fado”, “Boca Encarnada”.

 Este intervalo, e segundo explicou o fadista, serviu para trocar de roupa e também para o público descontrair um pouco.

 A segunda parte do concerto foi dedicada à temática do segundo disco lançado este ano, “Mãe”. Foi uma parte mais emotiva e em que Gonçalo Salgueiro por diversas vezes emocionou-se.

“Mãe”, “Praia da Solidão”, “Vi Nossa Senhora”, “Quis Deus que fosses Maria” foram alguns dos temas em que a sua voz ganhou emoção extra. Mas os grandes momentos de Gonçalo Salgueiro nesta segunda parte surgem com “Lágrima” e “Saudade, Silêncio e Sombra”, com duas interpretações do outro mundo. Se por um lado, Gonçalo Salgueiro faz parecer fácil, por outro, para quem escuta é arrebatado com a dimensão do canto de Gonçalo Salgueiro pela mudança de registo vocal  sem nunca perder as noções musicais.

 Nesta segunda parte subiu a palco a quarta convidada da  noite, a ‘tia’ Lenita Gentil. Uma das vozes maiores de Portugal não deixou créditos em mãos alheias. Esteve soberba! O público obrigou Gonçalo Salgueiro a encore e o fadista terminou em apoteose com “Povo que lavas no rio”, tendo a meio do tema abdicado do microfone. O público saltou, no final do tema, que nem uma mola e aplaudiu prolongadamente e de forma efusiva o fadista.

O fadista montemorense terminou em apoteose e mereceu. Provou, não precisava, que é um dos melhores na sua arte. Ontem o público ficou a conhecer melhor o artista que faz da voz o seu estandarte maior. Mas que é muito mais que uma voz!”

Rui Lavrador

 

http://infocul.pt/cultura/goncalo-salgueiro-voz-de-portugal-com-o-ccb-seus-pes/

 

De Gonçalo Salgueiro diz:

o musicólogo Rui Vieira Nery

“…é uma voz especialíssima, um dos timbres mais bonitos que têm aparecido no fado nos últimos anos” e mais adiante afirma “… ele quebra o estereótipo fácil da postura fadista masculina tradicional do faia – construindo antes – uma imagem inovadora e até ousada nas suas atuações”.

o musicólogo e crítico Costin Popa

“… excecional intérprete da tradicional canção popular portuguesa Gonçalo Salgueiro, digno sucessor da famosa Amália Rodrigues (…) de intensa vivência emocional, de profundidade de alma e de poderosa expressividade, a voz de Salgueiro é reveladora de rara sensibilidade em perturbadoras e melancólicas melodias, de extrema tristeza, de dor e consolo. O fado é um mistério que mexe com o espírito e o artista comunica-lo diretamente, com dedicação e paixão, em inflexões e múltiplas vocais e nuances de belíssima coloratura...”.

o realizador na TVR Roménia Alex Vasiliu

“… a presença em palco do jovem Gonçalo Salgueiro é admirável. Voz limpa, reconfortante, suave e forte, intensa, quer na expressão quer na interpretação e sentimento, ornamentação vocal rica em perfeitos melismas dramáticos, alegres e líricos. Um executante e moderador rítmico excelente, conquista o público. A amplitude vocal, apoiando as passagens com frases melódicas no registo agudo são qualidades que permitem ao jovem cantor pensar sobre a perspetiva de interpretar papéis de ópera…”.

a jornalista Anca Florea

“… a nostalgia e a magia de canções de amor, por vezes tristes, por vezes sentimentais, repletas de paixão, trazidas pela mão de Gonçalo Salgueiro, cuja agradável voz de tenor transborda em ornamentos, coloratura, arrepiantes emoções e particulares inflexões de enorme efeito, conquistando a admiração de muitos que ao ouvi-lo, descobrem um mundo especial o qual, há uns anos atrás, nos revelou a memorável Amália Rodrigues… ”.

o jornalista e Prof. Universitário Joaquim Letria

“… O fado está em muito boas mãos. Gonçalo Salgueiro prova-o sem necessidade própria nem mandato da jovem geração de que é um dos expoentes. Com sentimento muito próprio, expresso no virtuosismo com que canta, com a sua voz de grande generosidade e, ao mesmo tempo, de surpreendente maturidade, Gonçalo Salgueiro, figura de inovação, continua corajosamente a navegar na nova imagem que dá ao fado e na diferença que Rui Vieira Nery descortinara logo no seu primeiro álbum a solo. Quer quando escolhe o encanto da música e palavras de outros, quer quando vai a músicas difíceis de alguns dos maiores do fado e, por vezes, lhes crava a beleza da sua própria poesia, Gonçalo Salgueiro mostra com consistência uma escolha coerente, muito rica no canto e na palavra poética com que, procurando garantir a diferença, mergulha, respeitoso, na tradição, para partir, depois, rumo ao futuro e à ousadia…”

Brigitte Mariollat

“Elegância. É a primeira palavra que nos assalta o pensamento quando ouvimos Gonçalo Salgueiro. Depois de o escutarmos jamais poderemos esquecer a sua voz. O distinto e jovem cantor é brilhante como fadista. É português e no seu país o Fado, música que vem da alma, é símbolo nacional. A lendária Amália Rodrigues foi a mais famosa Fadista do mundo e a grande inspiração de Gonçalo Salgueiro. Este jovem artista é muito mais que um talentoso fadista, é um brilhante “performer”. Tem uma técnica vocal perfeita, impecável dicção, fraseio e melodia, um executante exímio, verdadeiro na expressão de sentimentos em palco. O seu amor pela música tem-no conduzido aos palcos com a renomada cantora de Ópera internacional Elena Mosuc, numa série de concertos que combinam Fado com a Arte Lírica. Nestes concertos, com a sua voz potente e sedutora, Gonçalo Salgueiro prova estar ao mesmo nível de uma estrela mundial da Ópera. Detentor de um extraordinário talento, de um coração enorme e de uma alma nobre, Gonçalo Salgueiro merece o reconhecimento público mundial”.

 


Biografia