Biografia

Gonçalo Salgueiro

 

 

Gonçalo Salgueiro nasce a 7 de Novembro em Montemor-o-Novo (Alentejo) no seio de uma família emocionalmente muito ligada á música, seus Pais cantavam Fado, enquanto amadores. Apesar de seu Pai se apresentar algumas vezes ao lado de Amália Rodrigues, esta que por sua vez, o convida a tornar-se profissional afirmando que “seria seguramente um dos 3 melhores fadistas masculinos em Portugal “.

Não é, portanto, de admirar que Gonçalo desde muito cedo educado no culto do amor à música nas suas mais variadas formas de expressão, começasse a cantar e se tornasse um Amaliano, tendo a sua primeira experiência de Fado “ in loco “, com 3 anos de idade, no afamado Restaurante “Sr. Vinho”,  (Bairro da Madragoa) Lisboa, propriedade da Fadista Maria da Fé e do Poeta de Fado José Luís Gordo.
Na sua infância e adolescência convive com grandes figuras do Fado, Canção, Teatro e Televisão. É um fascinado por todas as formas de arte, em especial pelo Canto Lírico. Dos 8 aos 11 anos recebeu aulas de piano.
Ainda na sua terra, integra o grupo Coral de S. Domingos,  os quais leva a gravar 2 CDs para a etiqueta “Strauss”, tendo o primeiro “ Da Pacem Domine “ atingido os top de vendas nacionais, com o single “ Lira “.

Aos 17 anos ingressa no I.S.C.S.P, Universidade de Lisboa, onde se licencía em Relações Internacionais. Simultaneamente, torna-se amigo e aluno da consagrada Soprano portuguesa Maria Cristina de Castro que o instiga a prestar provas para o Conservatório Nacional, onde chega a entrar com a melhor nota desse ano.
Ainda estudante universitário, em 1999, foi convidado pela Dra. Isabel Morais a cantar no Museu de Marinha para Congressistas, oriundos de todo o mundo, no “XIV International Association for the Children’s Right to play” e a convite de seu pai, José Salgueiro, canta numa das primeiras noites de Fado da “Expomor”, em Montemor-o-Novo, para uma plateia esgotada e entusiasta.
Daí para o “Clube de Fado”e “Velho Páteo de Sant’Ana” foi um ápice. Torna-se numa das atracções das Casas de Fado em Lisboa e tem a alegria de se cruzar com alguns nomes maiores deste género musical, quer intérpretes como músicos, (Beatriz da Conceição, D.Tereza Tarouca, Carlos Zel, José Fontes Rocha, entre outros).


Em 2000/2001,é convidado pelo encenador Filipe La Féria, a integrar o elenco do Musical “Amália”, no papel de Eduardo Ricciardi. É

interpretando “Aïe, Mourir pour Toi”, em dueto com a cantora Alexandra, que chama sobre si a atenção da crítica e do público.
 

Durante este período frequenta também um curso de interpretação para TV e Cinema, ministrado por Thaís de Campos e André Cerqueira.

Numa produção TVI o fadista João Braga convida-o a cantar na noite de homenagem a Amália Rodrigues, frente à Igreja de S. Vicente de Fora, onde a sua interpretação do tema “Grito “ o faz destacar perante o grande público. A RTP Internacional no programa “Fados de Portugal” apresenta-o ao mundo.
Os convites sucedem-se para concertos, espectáculos e participações especiais em discos comemorativos, musicais de Revista e até de Poesia.


Em 2002 grava o primeiro álbum a solo “…No tempo das cerejas”, uma assumida homenagem a Amália Rodrigues, onde recria alguns dos seus temas à data menos divulgados e quase desconhecidos do grande publico.
Ainda em 2002, é convidado pelo músico/compositor José da Ponte a gravar para a RTP1 o tema “Lusitana Paixão”, genérico da telenovela de Moita Flores, com o mesmo nome.
Nesse mesmo ano, a convite do actor/encenador Júlio César, após o ter ouvido nas famosas “Quartas de Fado” do fadista Carlos Zel, estreia-se no Casino Estoril – Salão Preto e Prata – no grande espectáculo musical “Egoísta”, ao lado de Rita Guerra e Dora, onde permanece até Março de 2004, e do qual também resulta um cd, sob a batuta do Maestro Compositor Pedro Osório. Também neste período estuda periodicamente com a professora Maria do Rosário Coelho.
Espectáculos um pouco por toda a Europa e USA, levam-no ao contacto mais próximo com o grande público que, tal como os críticos, são unânimes em afirmar a sua extraordinária versatilidade, emoção e presença. A sua voz faz-se ouvir, ocupando os lugares cimeiros nas rádios nacionais e nas rádios das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, com particular destaque para a Rádio Alfa, Paris e Rádio Amizade, Luxemburgo.


Em 2006, edita o segundo Álbum “Segue a minha Voz”, que será reeditado em 2012, em duetos com as mitícas Fernanda Maria e Beatriz da Conceição.


Em 2007/2008, é de novo chamado por Filipe  La Féria para interpretar o papel de Jesus Cristo no Musical de Andrew Loyd Webber e Tim Rice “Jesus Cristo Superstar” que estreou no Teatro Rivoli , Porto, onde esteve em cartaz durante um ano, vindo depois para o Teatro Politeama,Lisboa, sempre com lotações esgotadas. Um marco da história no Teatro Musical Português.

    
2009/2010, edita o CD/DVD homónimo “Gonçalo Salgueiro” onde se revela como autor de versos para o Fado. Chega nesta altura a ter o seu nome atribuído a uma casa de Fados em Palmela, onde se torna presença assídua a pedido dos seus grupos do admiradores.

   
2010 a 2013 – Gonçalo volta ao Casino Estoril para protagonizar duas produções musicais de Filipe La féria “Fado – História dum Povo” e de seguida “O Melhor de La Féria”, tendo o último sido reposto com grande êxito em 2013 no Teatro Rivoli, Porto.
Gonçalo Salgueiro ao longo da sua carreira foi responsável pela participação em várias iniciativas de solidariedade social a favor de inúmeras instituições, Lares e Hospitais, ex:  “Médicos Sem Fronteiras”, “ Lions Club”, “Casa do Artista “, onde chegou a colaborar directamente com Raul Solnado e a promover alguns espectáculos para os seus utentes.

Destaca-se a concepção do espectáculo “Cantar para Fernanda Maria”, em 2010, que encabeçou juntamente com Ana Moura, num tributo á grande “Cantadeira de Lisboa” e cuja receita foi entregue na totalidade a esta

Instituição.

2011 – É distinguido pela “SPA – Sociedade Portuguesa de Autores” - com o “Troféu de Homenagem ao Fado “.
Em 2012 Gonçalo Salgueiro, recebe da Fundação Amália Rodrigues, o Prémio “Amália Rodrigues 2012” na categoria “Tributo a Amália” pelo seu CD de 2002 “… No tempo das Cerejas”.

Este Prémio foi pela primeira vez atribuído. Também neste ano é convidado para ser o “Padrinho “ da Marcha da Ajuda, juntamente com Paula Sá e, em 2013, foi de novo convidado a participar nas Marchas Populares de Lisboa enquanto” Padrinho” da “Marcha da Mouraria”, ao lado de Alexandra.
Gonçalo Salgueiro divide a sua vida de cantor/actor com a de Letrista e Produtor Discográfico. Quer para intérpretes nacionais como internacionais. Como por exemplo, André Baptista , a quem produziu 2 CD´s, este já reconhecido em 2014 com o “ Prémio Revelação “ pela fundação Amália Rodrigues .
2013 – Gonçalo Salgueiro idealiza o espectáculo “Abraço Lusitano” que com a cantora Alexandra estreia em Janeiro no Cinema S. Jorge, Lisboa, percorrendo de seguida Salas, Auditórios e Casinos de Portugal paralelamente com vários concertos a solo pelo país e pelo estrangeiro.
2014/2015 - Além dos seus espetáculos a solo Gonçalo Salgueiro lança-se em mais um grandioso projeto, desta vez em pareceria com a renomada soprano internacional Elena Mosuc. Numa combinação única e inédita juntam Fado, Opera e Musical – OPERFADO - acompanhados por músicos de fado, orquestras e coros, cuja tournée teve a sua estreia na Roménia, com salas esgotadas e críticas abundantemente generosas! Chegando inclusivamente a serem comparados aos grandes espetáculos de Montserrat Caballé e Freddy Mercury. Na sua mais recente apresentação, 14 de setembro em Iasi, OPERFADO atingiu recordes de público com cerca de 15.000 espectadores!
Gonçalo Salgueiro aceita ainda o desafio de participar no projeto poético-musical “Aire, Fuego e Deseo”, do poeta castelhano Juan Carlos GarcíaHoyuelos, em homenagem a 96.000 pessoas que conservaram o idioma judaico-ibérico nos seus 500 anos de diáspora, dando voz ao tema “Não Há Um Dia”, do compositor Salvador Garcia Pérez e do intérprete de viola de flamenco Mariano Mangas.
Ainda em Setembro, Gonçalo Salgueiro é convidado a encabeçar o festival Caixa Alfama onde participaram cerca de 40 artistas de fado, dando um concerto memorável, no palco principal do evento com um público entusiasta e participativo!
Em janeiro de 2015 atua na Roménia, no prestigiado Romanian Athenaeum em Bucareste acompanhado pela 1ª Orquestra Filarmónica e Coro da Roménia com a soprano Elena Mosuc, onde pela primeira vez se ouve Fado!
Em Fevereiro de 2015 inicia os ensaios para mais um musical de Filipe La Féria "A noite das mil estrelas" no Casino Estoril , onde interpreta variados temas desde o musical Evita , á canção francesa dos anos 50 , passando pelo pop de António Variações dos anos 80 , até ao fado e á opera ! um grande desafio num espetáculo com casas esgotadas desde a sua estreia em abril de 2015 até dezembro do mesmo ano.
A 19 de setembro participa no "Caixa ALFAMA 2015" cantando na Igreja de S.Miguel de Alfama em Lisboa.
A 30 do mesmo mês atua no prestigiado Bérnard Theater da Opera de Zurique na Suíça onde obtém as seguintes críticas ao seu desempenho:
"Em 30 de setembro de 2015 o artista Gonçalo Salgueiro realizou com a presença da soprano de classe mundial, Elena Mosuc, uma noite de Fado no renomado ZurichBérnardTheater e mostrou ao publico porque é considerado a voz mais apaixonante de Portugal. O fervor com que o cantor interpretou as melancólicas canções do seu país em todos provocou "pele de galinha".
Com o seu canto expressivo e "soulful" ele entrou completamente na alma dos ouvintes. E mais uma vez mostrou que a música não conhece barreiras linguísticas. Quase sem a presença de portugueses no salão lotado todos entenderam a mensagem de Gonçalo, que pode transportar, como o grande artista que é , emoções como nenhum outro.
É também abençoado com um alcance vocal impressionante, uma das suas grandes vantagens, sobretudo quando ele abandonou o microfone, continuou a cantar e encheu a sala inteira sem amplificação.
Gonçalo Salgueiro parece ter nascido para o palco e de cada concerto faz um evento único e inesquecível.
Qualquer um que o tenha vivenciado quer fazê-lo outra vez. A combinação ópera/fado que Salgueiro e Mosuc trouxeram ao BérnardTheater é puro prazer e único no mundo. Obrigado Gonçalo, por teres trazido o teu fado para Zurique e assim, enriquecido as nossas vidas."
URSULA BURGHERR -jornalista


Em 2016 Gonçalo Salgueiro e após a conclusão das gravações do seu próximo cd, actua a 3 de junho no festival "Caixa Ribeira".

A 8 do mesmo mês volta á Suíça para, pela 2ª vez, atuar no no BérnardTheater de Zurique. Continua também a colaborar em trabalhos discográficos de colegas , como é o caso de JoseGonçalez para a Sony Music e grava ainda o êxito popular “ Homenagem a Santa Maria “ com a cantora Maria do Sameiro .
A 21 de janeiro de 2017 Gonçalo Salgueiro atua pela 1ª vez no Canadá no Centro Cultural Português de Mississauga. A 3 de Março de 2017 edita o seu 4º cd a solo "Sombras e Fado", um disco imediatamente aclamado pela critica :
“Há no mundo do fado uma série de intérpretes que cantam satisfatoriamente e com algum profissionalismo, cumprindo por vezes a função até com eficácia mas, a maior parte das vezes, sem qualquer laivo de emotividade; outros há que positivamente deslumbram tal a entrega , rigor , emoção e eficiência de que dão mostras…
É o caso de Gonçalo Salgueiro, fadista que no seu quarto álbum de originais dá um passo gigantesco rumo ao estrelato, afinal de contas um estatuto que ele há muito já merece não só pelas excelentes e comprovadas prestações em palco, nomeadamente no musical “Amália”, mas também e fundamentalmente pela grande qualidade vocal que sempre foi parte indissociável dos seus três primeiros discos. Agora, em “Sombras e Fado”, que ele dedica a sua mãe há tempos falecida, Gonçalo suplanta-se a si próprio, vocal e musicalmente, cantando melhor que nunca , rompendo barreiras, rótulos, paisagens musicais e sonoras, ditames e até com … certos modernismos.
Ouçam-se por exemplo as brilhantes versões de “Concerto pour une voix “, de Saint-Preux – que excepcionalmente autorizou esta versão apesar de habitualmente pôr muitas restrições a versões de temas seus – onde Salgueiro, em companhia da soprano Elena Mosuc, positivamente deslumbra ; “Ai vida”, composição originalmente escrita por Jorge Fernando para homenagear a grande Amália com quem chegou a gravá-la em dueto, a que Gonçalo dá um cunho próprio, pessoal e intimista; “Naufrágio” um dos mais emocionantes e envolventes temas do disco e, finalmente, a canção “escondida” deste trabalho: “Povo que lavas no rio”, composição do meu grande amigo, poeta e antigo vizinho na Rua Oliveira Monteiro na cidade do Porto, Pedro Homem de Mello ,que a diva Amália eternizou e a que, aqui, um grupo de cante de Montemor-o-Novo (Alto Alentejo) concede uma sonoridade vocal verdadeiramente apoteótica e embriagadora ou não tivesse a composição sido gravada sem artifícios na capela do castelo local .
Letrista de mérito (assinou nada menos de sete da totalidade de 17 composições do disco), fadista com F grande, dotado de uma voz absolutamente notável, única e reconhecível, Gonçalo Salgueiro é hoje em dia, acima de tudo, um intérprete genial que até por isso mesmo tem já um lugar reservado e muito especial no mundo do fado contemporâneo. Mais que um novo disco, este seu fabuloso “Sombras e Fado” é, para além duma verdadeira obra-prima, mais uma pedra basilar e fundamental para a construção da história da nossa canção nacional por excelência.
Uma certeza tenho: certamente lá, onde estiver, a mãe do fadista deve estar orgulhosa e vaidosa com esta brilhante e sentida homenagem que através do novo disco agora lhe foi feita pelo filho. “
João Afonso Almeida

"Foi lançado este mês o mais recente CD de Gonçalo Salgueiro, “Sombras e Fado”, um álbum diferente e que segue por um caminho, também este, diferente do que Gonçalo Salgueiro tem feito ao longo da sua carreira como fadista.
Este que é o seu quarto trabalho a solo e se por um lado nos recorda temas antigos de outras vozes (“Penso sempre em ti” de Fernanda Maria ou “Amor de Mel, Amor de Fel” de Amália) por outro conta com novos sons, desde a introdução de elementos de precursão (algo em vogue nos últimos tempos), a orquestração de dois temas, à passagem pelo cante (uma surpresa revelada no fim do álbum) e o convite de participação de uma cantora lírica (Elena Mosuc, cantora romena com quem o artista dividiu palcos numa recente produção a que deram o nome de “Operfado”), no entanto estas introduções não fazem com que o jovem fadista deixe de ter temas mais tradicionais acompanhados exclusivamente à guitarra portuguesa, viola e baixo, casos como “Sudário” (Fado Súplica) ou o tema que dá nome ao CD, “Sombras e Fado” (Fado Zé Negro), ambos com a assinatura de Gonçalo Salgueiro.
Mas talvez o mais surpreendente seja mesmo a fantástica interpretação do tema “Volta” de Diogo Piçarra, que Gonçalo Salgueiro nos apresenta numa outra forma, e “Tu” mais um dos sete poemas que o fadista assina e que coloca na melodia de “Concerto pour une voix” de Saint-Preux, algo arrojado e quase mítico, mais arrojado ainda por o autor francês ter proibido a sua gravação em Portugal, algo que Gonçalo Salgueiro consegue romper.
Mas o arrojo do jovem fadista não se fica por aqui, ousou colocar um grupo de cante alentejano a cantar um fado tradicional, uma surpresa escondida no CD e que revela um tema bastante conhecido de uma outra forma, a começar por ser interpretado à capella e de seguida com a participação do cante.
Este é um trabalho em que o fadista afirma que contém “grande parte da [sua] própria essência”, o cante é exemplo disso, recordando que o jovem fadista é do Alto Alentejo, e claro, a versatilidade quase camaleónica de Gonçalo Salgueiro que já nos tinha arrebatado em várias frentes, desde o fado aos musicais.
https://gravataazul.wordpress.com/…/sombras-e-fado-goncalo…/

A 12 de Maio de 2017 , a convite da Zagreb Philharmonic Orchestra actua , acompanhado pela mesma , no LisinskiConcert Hall em Zagreb na Croácia , no espetáculo inédito Tango&Fado. A 28 de Junho, a convite da Rádio Amália actua como cabeça de cartaz no espectáculo "Fados a Nossa Senhora" na Igreja de S. João de Brito, em Lisboa. Em 24 de Junho de 2017 volta pela terceira vez ao prestigiado Bérnard Theater de Zurique para mais um serão de Fado tradicional e piano.
A 17 de Setembro de 2017 e a convite de "Caixa Alfama 2017" Gonçalo Salgueiro enche de novo a Igreja de S. Miguel em Alfama.
Em 14 de Outubro apresenta na livraria Ferin o cd "Mãe" . Um disco com catorze temas, nove dos quais com letras de sua autoria numa declarada homenagem a sua mãe, recentemente falecida, uma edição exclusiva e limitada da prestigiada Fundação Manuel Simões .
“Mãe – um hino ao amor que nunca se esquece”

“Mãe” é o nome do último álbum de Gonçalo Salgueiro, um trabalho discográfico que
nos prende com amor e saudade num misto de regozijo e dor.
Perder alguém que se ama é um momento que marca cada um de nós, mas quando esse
alguém é a pessoa que nos deu Ser abre-se uma ferida que é insarável.
No entanto Gonçalo Salgueiro não se deixou ficar na dor, depois de no álbum “Sombras
e Fado” ter incluído o tema “Volta” de Diogo Piçarra igualmente dedicado a sua mãe,  
era óbvia, decide criar um álbum onde inclui catorze temas relacionados
com o amor maternal.
A viagem de amor começa com um tema carregado de emoção e que dá o nome ao
álbum, um fado antigo que descreve a dor da perda e a contestação ao ciclo da vida, está assim inaugurado o trajecto pela mais pura das formas de amar que prossegue em várias e diferentes melodias e, embora não seja algo novo, Gonçalo Salgueiro assina nove dos temas, voltando a surpreender-nos com a sua fabulosa escrita, carregada de sentir e emoção.
Além das letras assinadas pelo jovem fadista o álbum conta com letras de Miguel Torga,
Linhares Barbosa, João Fezas Vital e Nuno Lorena com músicas de fados tradicionais de autores como Alfredo Marceneiro, Miguel Ramos ou Armando Machado, mas também com melodias de Frei Hermano da Câmara e Jorge Fernando, que assina de forma integral o tema “Colo de Mãe”.
Mas tal como em “Sombras e Fado”, Gonçalo Salgueiro deixa a maior surpresa para o
fim, se no seu trabalho anterior deixou uma faixa escondida na qual nos surpreende com um “Povo que lavas no rio” em registo de cante alentejano, em “Mãe”, Gonçalo termina o seu álbum com um dueto comovente, com a sua mãe. Um momento incrível que marca talvez o ponto alto do novo trabalho discográfico.
Gonçalo Salgueiro desafiou-se a si próprio e desafia-nos a todos, um desafio que passa
por esbater o luto, a angústia e a dor com a força maior que temos, o amor.”
                    C.D. Carreira- blog gravata azul
 

A 17 de Novembro de 2017 Gonçalo Salgueiro sobe ao palco do grande auditório do Centro Cultural de Belém, espectáculo de Fado considerado o melhor do ano de 2017 :

“ Gonçalo Salgueiro: A voz de Portugal com o CCB a seus pés!
O Grande Auditório do Centro Cultural de Belém acolheu, esta sexta-feira, o fadista montemorense Gonçalo Salgueiro, num espectáculo inserido no ciclo “Há Fado no Cais”, co-produzido pelo CCB e Museu do Fado.
Gonçalo Salgueiro é, indiscutivelmente, das melhores vozes nacionais. Tem argumentos técnicos que poucos conseguem e tem poder interpretativo. Este ano lançou dois discos, “Sombras e Fado” e “Mãe”. Ao Centro Cultural de Belém trouxe temas dos dois discos, fez uma viagem pelo seu percurso artístico e
ainda trouxe mais quatro convidados: Lenita Gentil, Luísa Rocha, André Baptista e Lino Ramos. Foi acompanhado por Sandro Costa na guitarra portuguesa, Ivan Cardoso na viola de fado e Ricardo Anastácio no baixo.
O espectáculo dividiu-se em duas partes e com um nível de qualidade elevado. Gonçalo Salgueiro proporcionou, mesmo faltando ainda dois concertos, o melhor espectáculo do ciclo “Há Fado no Cais” em 2017. Foi inteligente na escolha de repertório, soube criar diversas tonalidades emocionais ao longo de mais de duas horas, soube interagir com o público. “Grito” foi o tema com que abriu o espectáculo e após o qual agradeceu a presença do público, que encheu o CCB, tendo também homenageado uma das suas grandes referências: Amália Rodrigues.

Recordou ainda que a primeira vez que entrou nesta sala foi na inauguração e que quem ali actuou foi Montserrat Caballé, e que por isso era uma honra poder pisar um palco onde já actuaram grandes nomes da música nacional e internacional.

Ao longo desta primeira parte foi apresentando os temas do disco “Sombras e Fado” tendo sempre o cuidado de explicar ao público, um pouco dos temas e dos seus compositores e letristas. A boa disposição nos momentos em que falou com o público foi uma constante com Gonçalo Salgueiro a demonstrar inteligência no humor. O tema que dá nome ao disco, “Sombras e Fado”, conta com letra do próprio fadista e música de Amadeu Rami, seguindo-se “Meu nó aflito” também com palavras suas e música de Raul Pereira. Salgueiro conseguiu em todas as interpretações dar vida às palavras e mostrar todo o seu manancial vocal e interpretativo. “Engano” apenas o nome do tema seguinte e que conta também com palavras de Gonçalo Salgueiro e música de Alfredo Marceneiro.
Neste espectáculo destaca-se a possibilidade de podermos apreciar Gonçalo Salgueiro na sua vertente de escritor de canções, onde revela uma sensibilidade peculiar e onde as emoções encontram as palavras certas. O talento de Gonçalo Salgueiro não se esgota na sua voz. Mas é a sua voz que o torna diferente!


O público aplaudia cada interpretação mas Gonçalo achava-os “muito murchinhos”. Fugiu ao alinhamento inicial e colocou o público a cantar “Nem às paredes confesso”. Caso para dizer que ‘arrebitou’ o público.
Na plateia, Gonçalo contou com a presença de grandes nomes do Fado como são os casos de Maria da Fé ou Fernanda Maria. Prestou homenagem a estes dois nomes com “Noite Cerrada” e “Penso em Ti”. Pelo meio chamou ao palco dois dos convidados da noite: André Baptista e Luísa Rocha. Ambos estiveram, cada um ao seu estilo, num plano superior de qualidade interpretativa. São dois valores seguros do fado, que merecem os maiores palcos.
O terceiro convidado a ser chamado a palco foi Lino Ramos que trouxe o fado mais bairrista e que agradou, bastante, ao público. Gonçalo Salgueiro encerrou a primeira parte com o single do disco “Sombras e Fado”, “Boca Encarnada”.
Este intervalo, e segundo explicou o fadista, serviu para trocar de roupa e também para o público descontrair um pouco.
A segunda parte do concerto foi dedicada à temática do segundo disco lançado este ano, “Mãe”. Foi uma parte mais emotiva e em que Gonçalo Salgueiro por diversas vezes emocionou-se.
“Mãe”, “Praia da Solidão”, “Vi Nossa Senhora”, “Quis Deus que fosses Maria” foram alguns dos temas em que a sua voz ganhou emoção extra. Mas os grandes momentos de Gonçalo Salgueiro nesta segunda parte surgem com “Lágrima” e “Saudade, Silêncio e Sombra”, com duas interpretações do outro mundo. Se por um lado, Gonçalo Salgueiro faz parecer fácil, por outro, para quem escuta é arrebatado com a dimensão do canto de Gonçalo Salgueiro pela mudança de registo vocal sem nunca perder as noções musicais.
Nesta segunda parte subiu a palco a quarta convidada da noite, a ‘tia’ Lenita Gentil. Uma das vozes maiores de Portugal não deixou créditos em mãos alheias. Esteve soberba! O público obrigou Gonçalo Salgueiro a encore e o fadista terminou em apoteose com “Povo que lavas no rio”, tendo a meio do tema abdicado do microfone. O público saltou, no final do tema, que nem uma mola e aplaudiu prolongadamente e de forma efusiva o fadista.
O fadista montemorense terminou em apoteose e mereceu. Provou, não precisava, que é um dos melhores na sua arte. Ontem o público ficou a conhecer melhor o artista que faz da voz o seu estandarte maior. Mas que é muito mais que uma voz!”
Rui Lavrador

http://infocul.pt/cultura/goncalo-salgueiro-voz-de-portugal-com-o-ccb-seus-pes/

De Gonçalo Salgueiro diz:
o musicólogo Rui Vieira Nery
“…é uma voz especialíssima, um dos timbres mais bonitos que têm aparecido no fado nos últimos anos” e mais adiante afirma “… ele quebra o estereótipo fácil da postura fadista masculina tradicional do faia – construindo antes – uma imagem inovadora e até ousada nas suas actuações”.
 

o musicólogo e crítico Costin Popa
“… excepcional intérprete da tradicional canção popular portuguesa Gonçalo Salgueiro, digno sucessor da famosa Amália Rodrigues (…) de intensa vivência emocional, de profundidade de alma e de poderosa expressividade, a voz de Salgueiro é reveladora de rara sensibilidade em perturbadoras e melancólicas melodias, de extrema tristeza, de dor e consolo. O fado é um mistério que mexe com o espírito e o artista comunica-lo directamente, com dedicação e paixão, em inflexões e múltiplas vocais e nuances de belíssima coloratura...”.


O realizador na TVR Roménia Alex Vasiliu
“… a presença em palco do jovem Gonçalo Salgueiro é admirável. Voz limpa, reconfortante, suave e forte, intensa, quer na expressão quer na interpretação e sentimento, ornamentação vocal rica em perfeitos melismas dramáticos, alegres e líricos. Um executante e moderador rítmico excelente, conquista o público. A amplitude vocal, apoiando as passagens com frases melódicas no registo agudo são qualidades que permitem ao jovem cantor pensar sobre a perspectiva de interpretar papéis de ópera…”.


A jornalista Anca Florea
“… a nostalgia e a magia de canções de amor, por vezes tristes, por vezes sentimentais, repletas de paixão, trazidas pela mão de Gonçalo Salgueiro, cuja agradável voz de tenor transborda em ornamentos, coloratura, arrepiantes emoções e particulares inflexões de enorme efeito, conquistando a admiração de muitos que ao ouvi-lo, descobrem um mundo especial o qual, há uns anos atrás, nos revelou a memorável Amália Rodrigues… ”.


O jornalista e Prof. Universitário Joaquim Letria
“… O fado está em muito boas mãos. Gonçalo Salgueiro prova-o sem necessidade própria nem mandato da jovem geração de que é um dos expoentes. Com sentimento muito próprio, expresso no virtuosismo com que canta, com a sua voz de grande generosidade e, ao mesmo tempo, de surpreendente maturidade, Gonçalo Salgueiro, figura de inovação, continua corajosamente a navegar na nova imagem que dá ao fado e na diferença que Rui Vieira Nery descortinara logo no seu primeiro álbum a solo. Quer quando escolhe o encanto da música e palavras de outros, quer quando vai a músicas difíceis de alguns dos maiores do fado e, por vezes, lhes crava a beleza da sua própria poesia, Gonçalo Salgueiro mostra com consistência uma escolha coerente, muito rica no canto e na palavra poética com que, procurando garantir a diferença, mergulha, respeitoso, na tradição, para partir, depois, rumo ao futuro e à ousadia…”


Diz dele Brigitte Mariollat
“Elegância. É a primeira palavra que nos assalta o pensamento quando ouvimos Gonçalo Salgueiro. Depois de o escutarmos jamais poderemos esquecer a sua voz. O distinto e jovem cantor é brilhante como fadista. É português e no seu país o Fado, música que vem da alma, é símbolo nacional. A lendária Amália Rodrigues foi a mais famosa Fadista do mundo e a grande inspiração de Gonçalo Salgueiro. Este jovem artista é muito mais que um talentoso fadista, é um brilhante “performer”. Tem uma técnica vocal perfeita, impecável dicção, fraseio e melodia, um executante exímio, verdadeiro na expressão de sentimentos em palco. O seu amor pela música tem-no conduzido aos palcos com a renomada cantora de Ópera internacional Elena Mosuc, numa série de concertos que combinam Fado com a Arte Lírica. Nestes concertos, com a sua voz potente e sedutora, Gonçalo Salgueiro prova estar ao mesmo nível de uma estrela mundial da Ópera. Detentor de um extraordinário talento, de um coração enorme e de uma alma nobre, Gonçalo Salgueiro merece o reconhecimento público mundial”.

 

O profundo luto pela perda de sua Mãe leva Gonçalo a abrandar os seus projectos artísticos no entanto, em 2018, regressa ao Canadá para mais uma vez ser o rosto da maior homenagem anual a Amália Rodrigues num dos maiores eventos da comunidade portuguesa em Toronto . Em Outubro desse ano esgota o Recreios da Amadora durante uma noite de “furacão “ e actua pela primeira vez no Baltazar Dias no Funchal . Neste ano volta a ser Padrinho das marchas populares de Lisboa , pelo bairro de Benfica, juntamente com a sua grande amiga e colega Carla Janeiro.

 

2019 traz um novo convite a Gonçalo Salgueiro, encabeçar o elenco de uma nova e especialíssima de casa de Fado em Lisboa , o elegantíssimo “Real Fado” , junto ao palácio de Belém, onde se apresenta semanalmente !  Entre espectáculos por todo o país, nesse ano também convidado especial num tributo a Amália Rodrigues, no palco principal do festival Santa Casa Alfama, espetaculo proponente ao prémio de  melhor actuação ibérica e uma noite especialíssima de homenagem á Fadista no Cartaxo . Filipe La Feria volta a concretizar um sonho de Gonçalo Salgueiro e convida o para encarnar o papel de “Fantasma da Opera” no teatro Politeama, versão concerto, juntamente com a soprano portuguesa Barbara Barradas, aluna de Mariella Devia.

 

Em 2020, com a hecatombe da Pandemia Covid-19, todo o mundo artístico e cultural é posto em “stand-by”. Durante esta fase há a destacar a participação em várias manifestações da celebração do centenário do nascimento de Amália Rodrigues, como o programa televisivo de Filipe La Feria “100 Amália” na RTP.

Destaca-se ainda a participação na gala de celebração do centenário do musico Joel Pina no teatro S. Luís em Lisboa .

É ainda convidado para apadrinhar o concurso de novos talentos “Uma voz para Amália “ na ilha da Madeira.

É  também durante esta fase que inicia as gravações do seu próximo álbum a solo .

A 19 de Janeiro de 2021 é convidado a fazer o concerto de celebração da inauguração do inicio da Presidência Portuguesa da União Europeia na Republica Checa, promovido pelo Instituto Camões de Praga em parceria com a Embaixada de Portugal na Rep.Checa. Em Abril de 2021 volta ser pico de audiências com o programa “Em casa de Amália “ conduzido por José Gonçalez na Rtp , o melhor resultado de sempre do programa . Também neste ano aparece representando Portugal no livro “Pablo Neruda ... y su palabra se hizo música”, de Fernando Gonzalez Lucini ,uma acuradíssima recolha da obra musicada e gravada a partir de textos do vate chileno. Ao lado de nomes como Paco Bandeira, Carlos do Carmo, José Cid, Fernando Girão, Rodrigo, El Sur ou Ela Vaz. A 10 de Junho canta no encerramento oficial da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia 2021 na República Checa com um concerto de fado português na Casa- Museu Amália Rodrigues. O cantor de forma a enobrecer ainda mais o concerto, decidiu convidar dois jovens fadistas, Tiago Correia e José Geadas, cantando temas de Amália.

Com o progressivo levantamento da restrições de saúde publica começa lentamente a regressar aos concertos ao vivo dos quais se destaca a actuação em mais uma edição do Festival de Fado Santa Casa Alfama , enchendo novamente a Igreja de S.Miguel ! Espetaculo considerado pela critica como um dos melhores do ano de 2021.

Em Outubro participa da produção e canta nas Galas do Centenário de Amália Rodrigues, da Fundação Amália rodrigues nos coliseus de Lisboa e Porto, ao lado de nomes como Katia Guerreiro ou Lúcia Moniz , realiza ainda nesse mês  um grande espetaculo na cidade de Praga, no Sacre Ceur , Republica Checa.

Dia 1 de Dezembro, a convite do actor Fernando Santos actua pela primeira vez na solidária Gala Abraço.

 

Em 2022 terminam finalmente as gravações do seu mais recente trabalho discográfico “Frei Fado“, um tributo ao icónico Frei Hermano da Camara, e que conta com um dueto com o próprio. Sobre o álbum , escreve o prof Armando Nascimento Rosa , dramaturgo  e director da Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa:

“Neste seu sexto álbum agora publicado, concretiza-se um encontro que já estaria há muito marcado no percurso artístico de Gonçalo Salgueiro. Se Amália sempre constituiu o centro do seu universo estético, a quem ele tem prestado largo e valoroso tributo musical, existe porém um intérprete e autor masculino que de imediato associamos ao seu invulgar perfil vocálico: Frei Hermano da Câmara. Para além de Gonçalo evocar o que em sua casa montemorense desde petiz já o prendia à escuta de Frei Hermano, é evidente que outras afinidades afloram, nomeadamente os caminhos que o levaram ao seu carismático desempenho da figura do messias na versão portuguesa da ópera-rock Jesus Christ Superstar, de Andrew Lloyd Weber e Tim Rice, encenada em 2007 por Filipe La Féria; interpretação que persuadiu Frei Hermano a que, caso o seu espectáculo O Nazareno conhecesse a graça de uma nova vida cénica, é a Gonçalo que ele confiaria por inteiro tal testemunho. Uma confiança que reside também, assim o creio, no facto de Gonçalo Salgueiro cultivar este raro legado, porém inscrito no genoma do fado, que o presente trabalho manifesta com sensível eloquência musical, uma vez que Frei Hermano o exponencia em sua obra: refiro-me ao legado do fado como canto espiritual, como prece na qual o fadista é o porta voz imanente de uma oração a essa transcendência da qual o humano já participa enquanto alma inquilina do corpo vivo. O fado descobre-se assim, como uma lusa “soul music”, se atentarmos na raiz etimológica, em canto de alma, que define essa fértil e riquíssima expressão musical que a negritude deu à cultura do mundo. Ao revisitar com a sua tão lírica e poderosa voz temas por si escolhidos do repertório cantado e composto por Frei Hermano, Gonçalo recorda-nos, pela mão experiente e sábia de Pedro Castro e seus músicos, a experiência numinosa que o canto com palavras orantes pode propiciar. Um conjunto de canções capazes de comunicar o seu arrebatamento bem para além da esfera circunscrita dos ouvintes que se identifiquem como católicos - a que se junta “Frei Fado”, tema titular do disco, que é retrato do homenageado, com letra de Gonçalo e música de Pedro Castro. A experiência desveladora da espiritualidade é rebelde face ao dogmatismo das instituições religiosas, como o exemplo dos místicos de qualquer credo bem o testemunha, e Cristo, dir-nos-ia por certo Frei Hermano em homilia, é o arquétipo do rebelde por excelência, que nos vem desassossegar do nosso conformismo, entrando-nos casa adentro, sob os andrajos de mendigo visionário, segundo a belíssima letra de Adelaide Villar para “Jesus Cristo anda na rua”.  Líricas de Miguel Torga e do Fernando Pessoa da Mensagem também aqui marcam presença, bem como da uruguaia Juana de Ibarbourou, de Reinaldo Ferreira (filho), de Manuel Andrade e de autores do espaço devocional, como Santa Teresinha, o Padre Abel Varzim, e o próprio Frei Hermano letrista, a par com textos oriundos da prática litúrgica de onde provém, por exemplo, o tão tocante “Luz terna e suave no meio da noite”. Existe um arrojo sereno no diálogo que Hermano compositor estabelece com as palavras dos poetas que elege - recordo o caso paradigmático de Pedro Homem de Mello, por via de quem Hermano da Câmara compõe aquele que, a seu modo elusivo, será por certo o primeiro tema não heteronormativo do repertório fadista de sempre: “O rapaz da camisola verde”.  Mas as opções de Gonçalo para este álbum não se curvam ao critério dos temas mais popularmente reconhecíveis de Frei Hermano. O seu exigente intuito, de perseguir a utopia de um sagrado que se transmite pelo canto, preside ao conceito que reuniu estas canções na sua voz, incluindo o terno dueto com a voz anciã do homenageado, em que o registo coral que ambos desenham parece citar, em sonora brevidade, os horizontes do cante alentejano.

Ao preparar-me para escrever estas linhas, correspondendo ao convite honroso que o Gonçalo endereçou ao seu outrora professor de Filosofia, folheei a poesia reunida de um outro monge português, José Augusto Mourão, ensaísta e saudoso amigo. Em versos movidos pela interpelação da fé, deixou-nos ele algo de análogo, no poema “rezar”, ao gesto que este álbum nos propõe, e de que cito o que poderia descrever o impulso para a sua criação: “Deus, como nós, nómada, / que a tua presença se realize de lugar em lugar, / de estação em estação /e que a tua palavra se enraíze / tu que és a palavra e a promessa / realizadas em Jesus e no Espírito / e nos fazes cantar.” Mas como já o disse aqui, o fenómeno da espiritualidade declina-se de forma plural, emergindo da experiência subjectiva da psique e está longe de confinar-se aos domínios vigiados que as religiões (ad)ministram. No ensaio “A Estética do Silêncio”, escreveu Susan Sontag, em 1967, que “cada era necessita reinventar o projecto de espiritualidade para si mesma”. Gonçalo Salgueiro, com seu inspirador e inspirados cúmplices, dá-nos, pela música do canto, caminhos para que tal reinvenção se dê neste momento, em cada um de nós, ao escutá-lo.”

 

Escreve ainda Rui Lavrador da INFOCUL:

‘Frei Fado’ de Gonçalo Salgueiro: Aclamação de um artista supremo, no seu mais recente disco.

“Frei Fado – Homenagem a Frei Hermano da Câmara” é o novo disco de Gonçalo Salgueiro, já disponível nas plataformas digitais e em breve disponível em formato físico.

Gonçalo Salgueiro é, de forma indiscutível e por mérito próprio, uma das melhores vozes que Portugal tem. E este disco demonstra-o na sua plenitude e vem no momento de, talvez, maior maturidade espiritual do artista.

Arriscar-se a uma homenagem a um nome incontornável da cultura portuguesa e com temas que não são fáceis de interpretar, carece de maturidade e, também, de uma elevada dose de sensibilidade.

E é de sensibilidade que se deve falar, após ouvir-se integralmente o disco, no qual o artista apresenta muitas das qualidades vocais que há muito lhe são reconhecidas. Tão reconhecidas que parece que o mercado musical português não tem sabido lidar com a situação, por claramente Gonçalo Salgueiro estar muito acima da média dos artistas mediáticos que nos são impingidos diariamente.

Parece estranho, não é? Mas em Portugal há sempre uma larga tendência em premiar a mediocridade e o fugaz. Uma espécie de pastilha elástica para prazer momentâneo, mas que passadas umas horas nem do aroma da pastilha nos lembramos.

Neste disco, garantidamente quem o ouvir ficará com ele na memória por muito tempo e ouvi-lo-á várias vezes. Este disco é uma catarse, para o artista e para o ouvinte. É um disco libertador, profundo e no qual a voz de Gonçalo nos arrebata de início ao fim.

O Fado tem, neste disco, um caminho de oração, um canto espiritual em tempos de mar revolto, em que as armas são personagens principais do nosso quotidiano. É um disco de paz, em tempo de guerra. É Gonçalo Salgueiro entregue de alma e coração a uma arte chamada Música.

Creio que o disco ‘Mãe’ talvez seja o mais pessoal do artista, mas este é aquele em que Gonçalo associa a sua vertente de fadista ao divino, talvez por ser um homem profundamente católico e que tem na sua fé um dos alicerces da sua personalidade.

Não é um disco apenas para católicos. É um disco para almas inquietas, que procuram o supremo.  A escolha de repertório neste disco não é óbvia, o que é coerente com a alma artística de Gonçalo Salgueiro, que procurou sempre um plano de Arte, fugindo (qual Diabo da Cruz) do que lhe podia dar mais mediatismo e até outros benefícios em termos de carreira. Gonçalo entrega-se à Arte, mesmo sabendo que o mundo actual não o reconhecerá como ele merece. Optou por um caminho solitário, para assim poder abraçar o mundo com a Arte. É no antagonismo que o artista se torna antológico.

Depois de vários discos em que a figura de Amália Rodrigues foi celebrada e homenageada, depois de ter apresentado vários originais da sua autoria, Gonçalo presta homenagem a Frei Hermano da Câmara. Mas este é um disco em que Gonçalo Salgueiro também presta uma clara homenagem à sua mãe. Porque a dor que a sua morte física provocou, foi atenuada com a fé, com uma entrega aos outros, muitas das vezes quase como um guia espiritual para a sua legião de admiradores. Deixemos que a voz de Gonçalo Salgueiro guie a nossa alma ouvinte a um lugar de paz.

Gonçalo Salgueiro volta a ser padrinho das marchas populares de Lisboa com a cantora Paula Sá pelo bairro da Ajuda! Entre vários espetáculos pelo país e fora e várias aparições em televisão, destaca-se ter sido novamente pico de audiência com o programa “Em casa de Amália” da RTP, desta feita dedicado a Frei Hermano da Camara e a apresentação do seu ultimo trabalho no teatro Sá da Bandeira no Porto, com lotação esgotada, numa coprodução com a Radio Festival. Diz o jornalista Nuno Pacheco no Jornal Público:

Gonçalo Salgueiro e Frei Fado, “uma exaltação de alma e um abraço fraterno”

Sexto disco do fadista Gonçalo Salgueiro, Frei Fado, dedicado e Frei Hermano da Câmara (e incluindo um dueto com ele) estreia-se este sábado ao vivo, no Porto.

Gonçalo Salgueiro estreou-se nas lides discográficas com um tributo devoto a Amália Rodrigues e agora, passados vinte anos, gravou um disco dedicado a outra das suas grandes referências, Frei Hermano da Câmara, que inclui um dueto com ele. Pelo meio, fez um caminho que foi das casas de fados até ao papel de Cristo no musical Jesus Cristo Superstar, de Filipe La Féria, ou a um projecto onde uniu a sua voz à da soprano de origem romena Elena Mo?uc, Operfado. Em nome próprio, gravou No Tempo das Cerejas (2002), Segue a Minha Voz (2006), Gonçalo Salgueiro (2009, reeditado em 2013 com duetos com Fernanda Maria e Beatriz da Conceição), Sombras e Fado (2017) e Mãe (2017). O seu novo disco, Frei Fado, estreia-se este sábado ao vivo no Porto, no Teatro Sá da Bandeira, num espectáculo marcado para as 15h30.

Nas vésperas do espectáculo, Gonçalo explica ao PÚBLICO o que o motivou: “Acho que no meu subconsciente/consciente sempre estiveram, desde que comecei a cantar, dois tributos que eu tinha de fazer, porque são as personagens que moldaram um pouco o meu gosto e a minha persona artística dentro do fado. Não por emulação, porque não gosto de imitações, detesto. E aí sempre estiveram a Amália Rodrigues e o Frei Hermano da Câmara. Porque desde que me conheço enquanto ser, era o que eu ouvia em casa. Obviamente existem outras pessoas, a Teresa Tarouca, a Fernanda Maria, a Beatriz da Conceição, o João Ferreira-Rosa, o João Braga. Além da música clássica. Fui realmente um privilegiado, ao poder, desde cedo, usufruir destes sons.”

Por Amália, Gonçalo diz ter “uma devoção”. Já em relação a Frei Hermano, a quem a sua avó chamava “a voz do Céu”, diz que é como se a música dele o abraçasse: “O que aquele timbre me traz, sempre, é uma mistura entre uma pequena exaltação de alma e um abraço fraterno. Com Amália, já não fui a tempo, porque comecei a cantar no ano em que ela partiu, mas com o Frei pensei que devia fazê-lo agora, com ele vivo. Porque depois vai haver muitas homenagens, que é normalmente o que se faz neste país, faz-se uns espectáculos e ganha-se uns trocos. Mas as homenagens, quando as pessoas estão connosco e estão bem, como está o Frei, têm de ser feitas com a presença delas, para sentirem a importância que têm e como tocaram a vida de outras pessoas, neste caso a minha. E eu não faria este disco se não tivesse a bênção do próprio Frei Hermano. Se ele não estivesse receptivo, não o faria, por respeito.”

Mas Frei Hermano, hoje com 88 anos, não só se mostrou receptivo como se dispôs a gravar com Gonçalo, em dueto, o tema Um novo coração me dá Senhor. “Que é um tema da liturgia e é lindo”, diz Gonçalo Salgueiro. No disco, há outros temas associados à liturgia, como Luz terna suave no meio da noite ou Pai Nosso, a par de, todos eles com música de Frei Hermano da Câmara, poemas de Juana de Ibarbouron (Suave milagre), Reinaldo Ferreira (Quero um cavalo de várias cores), Padre Abel Varzim (Cristo antigo), Santa Teresinha (Sabeis Senhor), Manuel de Andrade (Mãos abertas, mãos de dar), Fernando Pessoa (Gládio), Miguel Torga (Manhã), Adelaide Villar (Jesus Cristo Anda na rua e Avé Maria), bem como do próprio Frei Hermano (À Santa Face), a par de um original de Gonçalo Salgueiro que dá título ao disco, Frei Fado, com música de Pedro de Castro, responsável pela produção e direcção musical.

A escolha de repertório não recaiu sobre os temas mais conhecidos ou populares de Frei Hermano da Câmara, por uma razão que Gonçalo explica assim: “Nós vivemos hoje numa época completamente diferenciada. Todos os grandes chavões do Frei Hermano, à excepção do Fado da despedida e do Rapaz da camisola verde, já os cantei ou gravei. Já gravei Mãe, Túnica negra, Cantilena, é algo que está disponível. Por isso, fiz o que já fizera com No Tempo das Cerejas [2002], dedicado a Amália: peguei nas coisas que, mesmo sendo menos conhecidas, me tocam profundamente.”

Apesar de já estar “tudo alinhavado antes da pandemia”, Gonçalo diz que durante a pandemia ainda mais certeza e segurança teve para avançar com este trabalho. “De repente, num daqueles dias em que estamos a ouvir rádio e a meditar sobre qualquer coisa, percebi que o nosso fado fez uma curva acentuada ao pop, numa geração que vai dos vintes aos quarentas. Coisa que não condeno, e que quando é bem feita até acho o máximo. Mas deixa lacunas graves.” Atento aos programas de discos pedidos, ele percebeu que, dos seus próprios discos, os temas que as pessoas mais pedem são “os mais ligados a uma certa espiritualidade, a uma certa tristeza. E vêm de um público envelhecido que, de repente, parece que deixou de constar para as estatísticas. Como se o fado se tivesse demitido de trazer algum conforto espiritual às pessoas.”

Este foi outro motivo que o levou a avançar com Frei Fado, tendo a seu lado cinco músicos: Pedro de Castro e Luís Guerreiro, na guitarra portuguesa; Flávio Cardoso e Alfredo Almeida, na viola de fado; e Francisco Gaspar, na viola baixo. “Eu não sou ninguém para espalhar a fé, nem quero, nada disso”, diz Gonçalo. “Mas a minha voz e a minha música até é capaz de o fazer. E aqui tentei não só dar a essas pessoas algo que acho que continua a fazer falta, e poder prestar homenagem a um dos meus heróis musicais. Foi algo que me deixou muito feliz, com o próprio a constar do disco.”

O tema-título nasceu de uma música de Pedro de Castro. Gonçalo ouviu-a, gostou muito dela e propôs-lhe fazer “uma coisa dedicada ao Frei”, apesar de este não ser um disco de inéditos. “No próprio dia, naquele serão, eu fiz a letra para a música do Pedro, que é lindíssima e muito sensível, e assim nasceu Frei fado, o único inédito do disco. E ver a reacção do Frei, ao ouvi-lo, foi mais do que recompensa de tudo.”

Entra assim o ano de 2023 com a promoção nas rádios e televisões nacionais e internacionais do seu novo álbum, a apresentação em Lisboa e novos convites para a produção discográfica de alguns icónicos artistas!

 

 

 

 

 

 

 

 




 

 


Biografia